Cecília Miranda nasceu em 1968, em Barcelos, no seio de uma família profundamente ligada ao barro. A sua avó, Maria Miranda Arantes, e a sua mãe, Teresa Macedo, eram igualmente artesãs e, desde cedo, transmitiram-lhe a sensibilidade e o saber do trabalho artesanal em barro.
Durante a infância, Cecília acompanhava a avó e os pais às feiras de S. Mateus, em Viseu, e do Senhor de Matosinhos, em Matosinhos — espaços de grande tradição onde se reuniam inúmeros criadores de figurado popular. Nesse ambiente de criatividade e aprendizagem, começou o seu percurso, ajudando a mãe e criando pequenas figuras: casais, bruxas, diabos, homens e mulheres.
O irmão, João Macedo, partilhava também estas vivências, colaborando na produção de figuras para presépios e cascatas, reforçando o caráter familiar da arte.
Durante a década de 1980, Cecília afastou-se temporariamente da produção de figuras de barro. Desde essa altura, manteve atividade na Moldiroda Cerâmica, empresa que gere em conjunto com o marido, desenvolvendo diferentes trabalhos na área da cerâmica.
Em 2023, retoma com renovado entusiasmo a criação de figuras, imprimindo-lhes uma nova linguagem estética: peças mais robustas e com um toque contemporâneo, mas sempre enraizadas na tradição e na expressividade popular.
Na infância, assinava as suas obras apenas como “Cecília”, o que gerava curiosidade e especulações sobre quem seria a artista — alguns já asseguravam tratar-se de uma sobrinha do Mestre Manuel Macedo, irmão da mãe.
Atualmente, assina o seu trabalho como Cecília Miranda, afirmando uma identidade artística própria, que honra as origens familiares e o património cultural do figurado de Barcelos, sem deixar de olhar o futuro com criatividade e inovação.
Assinaturas das obras: Cecília / Cecília Miranda
