Olaria e Figurado

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Ntaluma (1969) - Escultor moçambicano

Escultor de madeira e pedra

Lisboa

Frank Arroni Ntaluma, mais conhecido como Makonde Nangashinu Ntaluma, ou simplesmente Ntaluma, nasceu em 1969 em Moçambique. Filho de pais guerrilheiros, nasceu na Base da Beira da FRELIMO, no distrito de Nangade, província de Cabo Delgado.

Cresceu num contexto marcado pela guerra e pela luta contra a dominação colonial, ambiente que influenciou profundamente a sua visão do mundo e a sua expressão artística.

Com um enorme sorriso, gosta de recordar que começou a transmitir a sua palavra através da madeira em 1990, no Museu de Etnologia de Nampula.

Em 1992, em Maputo, juntamente com um grupo de amigos, fundou a FAVANA – Grupo de Escultores Makonde. Em 2000 passou a desenvolver o seu trabalho artístico no Museu Nacional de Arte de Maputo.

Em 2002 mudou-se para Portugal, onde assumiu a responsabilidade da Escola ALDCI, integrada na Escola de Multiculturalidade, em Lisboa, apoiada pelo ACIDI.

Entre 2025 e 2027 trabalha na Escola Profissional de Artes e Ofícios Tradicionais da Batalha, participando na execução de cantarias.

Segundo António Roseiro, no catálogo publicado em 2013 aquando da exposição individual na Fundação Mário Soares, LIKUMBI – Ritos de Iniciação, a Viagem, “a escultura de Ntaluma não se amarra aos cânones escolásticos e tradicionais, procurando, sim, traduzir uma expressão de grandeza e generosidade social através de uma atitude humanista”.

Ntaluma possui várias obras públicas na cidade de Lisboa, entre as quais a Homenagem ao poeta José Craveirinha, no Parque dos Poetas em Oeiras, e a Homenagem ao Pai Paulino, no Rossio. O seu trabalho encontra-se também representado em diversos países, nomeadamente em Moçambique, Andorra, China e Estados Unidos.

Tem obras no Museu de Arte de Maputo e em várias coleções particulares.

Na escultura em madeira utiliza espécies como pau-preto, sândalo e pau-rosa. No trabalho em pedra recorre a materiais como mármore, calcário, ónix e granito.

Em Portugal estabeleceu uma relação próxima com diversos escultores e pintores moçambicanos, sendo frequentemente considerado um verdadeiro adido cultural da arte e cultura moçambicana em Portugal e no mundo.

O seu atelier está localizado nas Olaias, em Lisboa, e é designado como Base da Beira. Nesse espaço encontram-se várias das suas obras e trabalhos de outros artistas. O atelier funciona também como ponto de encontro entre artistas e espaço de tertúlias culturais.

Em 2015 e 2025 foi curador das exposições realizadas na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, no âmbito das comemorações dos 40 e 50 anos da História, Arte e Cultura de Moçambique Independente.

Em 2024 participou no documentário “À Mesa da Unidade Popular”, realizado por Camilo de Sousa e Isabel Noronha, com imagem de Leonardo Simões e produção da Midas Filmes.

Referências:

Catálogo da exposição LIKUMBI – Ritos de Iniciação. A Viagem, Fundação Mário Soares, Lisboa, 2013.

Catálogo da exposição na Sociedade Nacional de Belas Artes no âmbito dos 50 anos de História, Arte e Cultura de Moçambique Independente.

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