Reinata Sadimba nasceu em 1945, em Homba, uma aldeia de Mueda, província de Cabo Delgado, Moçambique.
Aprendeu as técnicas de olaria com a sua mãe, Verónica Ngwalenge, ainda criança.
Nos anos 60, durante a luta armada de libertação nacional, conduzida pela FRELIMO, contra o colonialismo português, que culminaram na independência do país em 25 de junho de 1975, Reinata colabora não só nas lutas, mas produzindo os recipientes necessários para a vida comunitária entre os militares.
Em 1975, viveu Nimu, aldeia onde vivia com a mãe, nesta fase deixa de fazer olaria utilitária e começa a fazer obras mais pessoais.
Motivada pelos conflitos existentes emigrou (nos anos 80) para Tanzânia onde permaneceu por vários anos, com o seu filho Samuel, único sobrevivente dos 8 filhos. Quando regressou a Moçambique continuou a trabalhar e a fazer as suas peças cada vez mais escultóricas.
Em 1992 regressa a Moçambique.
Reinata Sadimba gosta de trabalhar sentada no chão, desta forma, segundo a própria, a criatividade flui com maior liberdade, permitindo-lhe trabalhar descontraída e sem dores nos pés, durante várias horas, onde as suas mãos não param e o corpo encontra o repouso necessário para horas de modelação .
Gianfranco Gandolfo na biografia que fez identifica três fases na vida e produção da Reinata: em Nimu, Pemba entre 1978 e 1984. Entre 1985 e 1991, em Sar es Salaam (Tanzania) em que inicia uma atividade de criação de diferentes figuras, onde os potes se transformam em figuras antropomorfas e mais tarde a partir de 1992, depois da guerra terminar, em Maputo, Moçambique, onde se instala no Museu de História Natural. É nesta altura que se consagra a nível internacional com toda a sua criação artística.
A obra de Reinata Sadimba é particularmente reconhecida pelas suas esculturas em cerâmica e grafite que exploram temas como o corpo feminino, a natureza, o mundo animal e as relações familiares e sociais entre homens, mulheres e filhos.
A primeira exposição individual da artista realizou-se em 1990, em Dar es Salaam. Desde então, participou em numerosas exposições individuais e coletivas em África, Europa e outras regiões do mundo, incluindo mostras em Moçambique, África do Sul, Dubai, Portugal, Suíça e Itália.
Em 2007 expos em INDEG/ISCTE, Lisboa.
Reinata Sadimba e Merina Amade participaram numa residência artista na Bajouca em 2020, no âmbito da candidatura de Leiria a cidade criativa na área da música, apoiada pela Fundação Calouste Gulbenkian.
A sua obra está representada no Museu Nacional de Arte de Moçambique e no Museu Nacional de Etnografia em Lisboa, na Culturgerst em Lisboa e em várias coleções particulares.
As suas obras são geralmente assinadas simplesmente com “REINATA ou RENATA”.
Crédito fotográfica da Reinata com a escultora Merina: Alberto Frias , no âmbito da residência artística na Bajouca.
Referência:
Gandolfo, Gianfranco — Reinata Sadimba, Esculturas Cerâmicas, 2012, Kapicua
Catálogo da exposição na Sociedade Nacional de Belas Artes no âmbito dos 50 anos de História, Arte e Cultura de Moçambique Independente.
